eu tenho certeza da dúvida
e é por isso que insisto
nada consegue apagar meu instinto
debaixo deste temporal
sei muito bem oque acontece
quando sai o sol
o que tem atrás daquela porta
mais fácil manter o rítmo contínuo
em linha reta na direção que está indo
eu passeio em círculos
trabalho em trilhos
em turnos
ainda penso nisso
um estalo
na hora saio
em partes reparo
existe o fato
existe o instinto
e tudo mais que ainda insisto
levam-me a minha sentença
espero que esteja sorrindo
estrada à vista listradas estradas hoje é dia de pisar na tábua de ver o dia acabar e a noite chegar vendo relevo passar sem tirar da vista a estrada listrada no vai e vem das filas arranca e para listrada cancela baixa para a partida na hora não demora aumenta o som nem troca de faixa segue à risca da nada agora tá na hora alí ninguém para faróis à favor faróis contra quero mesmo ir embora
coloquei meu óculos de grau
ainda não estou acostumado
o chão parece mais próximo
as letras agora fazem sentido
e com tudo assim tão nítido
sinto-me um tanto enjoado
parte de mim não quer ficar
parte não quer me deixa ir
parto em busca na rotina
que me usa de mobília
passo a régua no destino
que me ignora
assim mesmo
nada deve interferir agora
sei que parece intenso
sei oque persigo
parte de mim querer
parte de mim permitir
por hora
sigo a mesma ciclovia
que sempre muda
enquanto decoro meu dia
em conjuntos
aos pedaços
embrulhados por laços de estilhaços
o uniforme da coalizão
não é insuficientemente claro
para o visionário sentado
à sombra da fração
um relato voluntário de plantão
ganha vida na ordem do borrão
entre os trilhos
rapta o cenário
na expectativa de locomoção
acaba com os passos em falsas direções
estático
aguarda
mas não prende a respiração
pensando nisso e naquilo
dilatei minhas pupilas
olhei para o canto da sala
lá não há nada
e o nada
abstrai
substratos intervêm
por instantes passeei
admirando a vista
a saída encontrei
sei bem
no fundo
preciso voltar
atentando o entretanto
que sorve o tema
diluí a âncora em enfeites de prateleira
do lado de fora do lema
folclóricas cenas suportam
cada qual
em seu braço de mar
levemente indiferente ao luar
digerem a anuência
descalço
meus sentimentos à flor da pele
refletem no que percebo
mas nada reiteram
o que sentem
à vontade até apareço
sem esconder meus cantos
meus desejos
se encontram
completamente
o vazio preenche na hora de patir
muita coisa na memória
sabe que a noite será longa
emplaca seu rumo afora
deleita-se em sua própria sombra
aos traços de um plano falível
que nada dita agora
a ausência dos momentos
tomou sua conta
delicadezas são fortes arbítrios
deixam nenhum resquício
relutantes no pacote invisível
ainda completam o requisito
da contra mão ouvem o sino
na solitária paz da quietude
pondo ao hábito semi oval
pendurado atrás do mural
tecer em ponto cruz
o caos organizacional
criando regras embebidas
em delícias sem igual
alguns trechos sigo rotina
sem deixar pra depois
ficou um pedaço meu aqui
levo o que sobra
sem olhar para traz
ainda sinto seu cheiro
a essência
que trago
traz meus sentimentos
que nunca abandono
de nenhum jeito
o sol e as nuvens pareciam se importar
não poderia haver um dia mais lindo
empacotado em pára-choques de diversas cores
ainda não consigo esconder o meu sorriso
perdi a minha pressa
a sincronia dos relógios
naquele momento
aumenta o tráfego
restando um tanto de tarde
nada realmente afasta
a sensação de tudo ganhando sentido
chegando a noite
oito e pouquinho
começa a chover
vou curtir a chuva
pensando em voce
ingenuidade minha
estava escrito nas entrelinhas
parei em vários sinais vermelhos
dando tempo ao tempo
e nada
sei o sentido
só eu me espanto
estou renovado
sinais não escondo
sem muitos conceitos
ainda percebo
confissões me concedo
nada reflete melhor
o que sinto
harmoniza o que vivo
fica mais nítido
a vida mais clara se
a felicidade me permitir
tramarei sempre amar
minhas amarras
em sua palavra
o que desperta em mim
o instinto que reflete
o mais puro desejo
312 anos após o encarceramento
o instinto interfere
denaveio como um ilustre
não sinto que tenha encontrado meu ajusute
perfeito
perdi umas palavras
mas ganhei o dia
nada que mude a sentença
sucinto
prevejo nada além rotina
destroçando sílabas sem vírgulas
somando letras
em estado de ampulhetas
aos tratos
cada palavra tem começo
tem um meio e tem seu fim
em algum momento
algo ignora
a frase que se forma
nítida e clara
pode sim
clarear nada
onde nada importa
cruzei tanta coisa no caminho até aqui
afundado em minha perplexidade contínua
senti na pele o que realmente me arrepia
instiga saber a razão mas nem insisto
por hora vale mais seu sorriso
uma turma turva esta atentando na matriz atenuante ao relapso de um conjunto astúcias por hora arquivadas feito túmulos de besteira em besteira reiteram nada batido passa nesse clima de feira a parte sucinta ainda se desdobra no sossêgo mal enxerga o galho de onde olha na província o estatuto estima a hora certa o importante nesta companhia esta apenas no fim
virando e revirando curvas e linhas acentos e pontos sem pensar em folga em meio a tantos escombros mal pode exergar a cara ainda não tirou a poeira do corpo precisa saber o que tem no fundo do poço caiu numa arapuca muito grande e a carapuça não serviu então decide antes de voltar a tona cavará uma cova pra colocar a fossa