quarta-feira, 7 de março de 2012

nem secou

reencontro sementes
descordando caroços
ignoro
mastigando cascas  
descalço no asfalto
nem senti o pé gelado
em clima de segunda-feira
hoje não chove não 

terça-feira, 6 de março de 2012

então tá.


um ponto final 
numa frase não dita
em câmera lenta
troca de linha
a nova presença 
vai no aperitivo
não passa batido
melhor repensar

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

sai o sol



eu tenho certeza da dúvida
e é por isso que insisto
nada consegue apagar meu instinto
debaixo deste temporal
sei muito bem oque acontece
quando sai o sol

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

imensa

é difícil demais ficar imaginado agora
o que tem atrás daquela porta
mais fácil manter o rítmo contínuo
em linha reta na direção que está indo
eu passeio em círculos
trabalho em trilhos
em turnos
ainda penso nisso
um estalo
na hora saio
em partes reparo
existe o fato
existe o instinto
e tudo mais que ainda insisto
levam-me a minha sentença
espero que esteja sorrindo 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

reinstalado


penso ser humano
mas vejo apenas um ninho
sei que tive escolhas
e estas
ao menos hoje
duvido

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

antes estantes


sendo esta pequena fração
uma facção de sentimentos
olhando pela janela
vejo uma cidade bela
insensível à quem vive nela
cheia de seres altivos  
descomprometidos com as estantes
sem assuntos adjacentes
ouço
penso
respiro profundamente
atento alguns instantes  
resta ainda esperar
quando chamar 
alguém pode responder  
e tudo vai mudar
com o direito de ser


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

listradas

estrada à vista 
listradas
estradas
hoje é dia de pisar na tábua
de ver o dia acabar
e a noite chegar
vendo relevo passar 
sem tirar da vista
a estrada
listrada
no vai e vem das filas
arranca e para
listrada
cancela baixa
para a partida
na hora não demora
aumenta o som
nem troca de faixa
segue à risca
da nada
agora tá na hora
alí ninguém para
faróis à favor
faróis contra
quero mesmo
ir embora

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

no grau

coloquei meu óculos de grau
ainda não estou acostumado
o chão parece mais próximo
as letras agora fazem sentido
e com tudo assim tão nítido
sinto-me um tanto enjoado

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

decoro o dia

parte de mim não quer ficar
parte não quer me deixa ir
parto em busca na rotina
que me usa de mobília
passo a régua no destino
que me ignora
assim mesmo
nada deve interferir agora
sei que parece intenso
sei oque persigo
parte de mim querer
parte de mim permitir
por hora
sigo a mesma ciclovia
que sempre muda
enquanto decoro meu dia

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

na ordem do borrão

em conjuntos
aos pedaços
embrulhados por laços de estilhaços
o uniforme da coalizão
não é insuficientemente claro
para o visionário sentado
à sombra da fração
um relato voluntário de plantão
ganha vida na ordem do borrão
entre os trilhos
rapta o cenário
na expectativa de locomoção
acaba com os passos em falsas direções
estático
aguarda
mas não prende a respiração

substratos intervêm

pensando nisso e naquilo
dilatei minhas pupilas
olhei para o canto da sala
lá não há nada
e o nada
abstrai
substratos intervêm
por instantes passeei
admirando a vista
a saída encontrei
sei bem
no fundo
preciso voltar

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

lema para fora


atentando o entretanto 
que sorve o tema
diluí a âncora em enfeites de prateleira
do lado de fora do lema
folclóricas cenas suportam
cada qual
em seu braço de mar
levemente indiferente ao luar
digerem a anuência

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

só na ginga


eu que nunca pisei numa avenida
aprendi a sambar na vida
com o meu coração

minha alma já serviu de alegoria
ficou fora de sintonia com as batidas
em outra estação

hoje já não tenho mais fantasia
deixei de lado a magia
gingo na ilusão

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

sem ima gin ação


sem imaginação
sem imagin ação
sem imagina ção
sem ima gin ação

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

completamente

descalço
meus sentimentos à flor da pele
refletem no que percebo 
mas nada reiteram
o que sentem
à vontade até apareço
sem esconder meus cantos
meus desejos 
se encontram
completamente

afora guarda

o vazio preenche na hora de patir
muita coisa na memória
sabe que a noite será longa
emplaca seu rumo afora 
deleita-se em sua própria sombra
aos traços de um plano falível
que nada dita agora
a ausência dos momentos
tomou sua conta

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

delícias sem igual

delicadezas são fortes arbítrios
deixam nenhum resquício
relutantes no pacote invisível
ainda completam o requisito
da contra mão ouvem o sino
na solitária paz da quietude
pondo ao hábito semi oval
pendurado atrás do mural
tecer em ponto cruz 
o caos organizacional
criando regras embebidas
em delícias sem igual

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

devaneio

devaneio sem saída
conto pontos sem partida
esqueço o rumo
talhado na deriva
de ponto em nó
à esmo da borda
nada fica

claro que eu sei

é claro que eu sei
tanto que nem resisto
invade o meu peito
arranca do meu silêncio
suspiros


domingo, 4 de dezembro de 2011

essencial

alguns trechos sigo rotina
sem deixar pra depois
ficou um pedaço meu aqui
levo o que sobra
sem olhar para traz
ainda sinto seu cheiro
a essência
que trago
traz meus sentimentos
que nunca abandono
de nenhum jeito

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

pensando na chuva

o sol e as nuvens pareciam se importar
não poderia haver um dia mais lindo
empacotado em pára-choques de diversas cores
ainda não consigo esconder o meu sorriso
perdi a minha pressa
a sincronia dos relógios
naquele momento
aumenta o tráfego
restando um tanto de tarde
nada realmente afasta
a sensação de tudo ganhando sentido
chegando a noite
oito e pouquinho
começa a chover
vou curtir a chuva
pensando em voce

terça-feira, 29 de novembro de 2011

minha amarra

ingenuidade minha
estava escrito nas entrelinhas
parei em vários sinais vermelhos
dando tempo ao tempo
e nada
sei o sentido
só eu me espanto 
estou renovado
sinais não escondo
sem muitos conceitos  
ainda percebo
confissões me concedo
nada reflete melhor
o que sinto
harmoniza o que vivo
fica mais nítido
a vida mais clara se
a felicidade me permitir
tramarei sempre amar
minhas amarras
em sua palavra

terça-feira, 22 de novembro de 2011

intensa paisagem

sabia do som que fazia
atravessou as paredes da casa
aumentou a intensidadade
se doou de verdade
recordando cada passagem
fez da melodia
uma mensagem

meu instinto te interfere

o que desperta em mim
o instinto que reflete
o mais puro desejo
312 anos após o encarceramento
o instinto interfere
denaveio como um ilustre
não sinto que tenha encontrado meu ajusute
perfeito

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

mira de cor

linhas paralelas
na beira do cais
tudo tudo
nos leva e nos traz
tudo segue o rumo
amplifico o barulho
rimo minha mira de cor

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

palavra de fora

perdi umas palavras
mas ganhei o dia
nada que mude a sentença
sucinto
prevejo nada além rotina
destroçando sílabas sem vírgulas
somando letras
em estado de ampulhetas
aos tratos
cada palavra tem começo
tem um meio e tem seu fim
em algum momento
algo ignora
a frase que se forma 
nítida e clara
pode sim
clarear nada
onde nada importa

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

por hora

cruzei tanta coisa no caminho até aqui
afundado em minha perplexidade contínua
senti na pele o que realmente me arrepia
instiga saber a razão mas nem insisto
por hora vale mais seu sorriso

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

turva-feira

uma turma turva esta atentando na matriz
atenuante ao relapso de um conjunto
astúcias por hora arquivadas feito túmulos
de besteira em besteira reiteram
nada batido passa nesse clima de feira
a parte sucinta ainda se desdobra no sossêgo
mal enxerga o galho de onde olha
na província o estatuto estima a hora certa
o importante nesta companhia esta apenas no fim

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

alerta

desencantando migalhas
que aos poucos se espalham
diluindo ao relento
perdendo peso
esfarelando sua forma
revida sem tempo
agride o marasmo
estravazando detritos

o fato toca na radiola
a letra não é boato
repentino súbito
a falta de noção relato
parte em disparate
coadjuvante ação enfim desperta
acaba o som ininterrupto
revida o alerta

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

a cova da fossa

virando e revirando
curvas e linhas
acentos e pontos
sem pensar em folga
em meio a tantos escombros
mal pode exergar a cara
ainda não tirou a poeira do corpo
precisa saber o que tem no fundo do poço
caiu numa arapuca muito grande
e a carapuça não serviu
então decide
antes de voltar a tona
cavará uma cova
pra colocar a fossa